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Divirtam-se!

Setembro 18, 2007

(Segunda)

8:05am
Usuário chama dizendo que perdeu a password. Eu disse a ele para usar um utilitário de recuperação de senhas chamado FDISK. Ignorante, ele me agradeceu e desligou. Meu Deus ! E a gente ainda deixa essas pessoas votarem e dirigirem ?

8:12am
A Contabilidade chamou para dizer que não conseguiam acessar a base de dados de relatoriós de despesas. Eu dei a resposta Padrão dos Administradores de Sistema número 112: “Engraçado… Comigo funcionou…”. Deixei eles pastarem um pouco enquanto eu desconectava minha cafeteira do no-break e conectava o servidor deles de volta. Sugeri que eles tentassem novamente. Ah… Mais um usuário feliz…

8:14 am
O usuário das 8:05 chamou dizendo que recebeu a mensagem: “Erro no acesso ao drive 0″. Disse a eles que isso era problema de SO e transferi a ligação para o microsuporte.

11:00 am
Relativamente calmas as últimas horas. Decidi reconectar o telefone do suporte para ligar pra minha namorada. Ela disse que os pais dela virão pra cidade nesse fim-de-semana. Pus ela “em espera” e transferi a ligação para o Almoxarifado. Que é que ela está pensando? Os torneios de “Doom” e “Myst” são neste fim-de-semana !

12:00 pm
Almoço.

15:30 pm
Retorno do almoço.

15:55 pm
Acordei da soneca. Sonhos ruins me dão tremores. Empurrei os servidores sem razão. Voltei pra soneca.

16:23 pm
Outro usuário liga. Quer saber como mudar fontes em um formulário. Perguntei que chip eles estão usando. Falei pra eles ligarem novamente quando descobrirem.

16:55 pm
Resolvi rodar a macro “Criar Salvar/Replicação de Conflitos” para que o próximo turno tivesse algo a fazer…

(Terça)

8:30 am
Terminei a leitura do log de suporte da noite anterior. Pareceram ocupados. Tempos terríveis com Salvar/Replicação de Conflitos…

9:00 am
Gerente de suporte chega. Quer discutir minha atitude. Cliquei no PhoneNotes SmartIcon. “Adoraria, mas estou ocupado”, gritei enquanto pegava as linhas de suporte, que (misteriosamente) acenderam.

9:35 pm
O chefe da equipe de P&D precisa de ID para novos empregados. Disse ele que precisava do formulário J-19R=3D9C9\\DARR\K1. Ele nunca tinha ouvido falar de tal formulário. Disse a ele que estava no banco de dados de FORMULÁRIOS ESPECIAIS. Ele nunca ouvira falar de tal banco de dados. Transferi a ligação para o Almoxarifado.

10:00 am
Ana ligou pedindo um novo ID. Eu disse que precisaria da matrícula, nome de departamento, nome do gerente e estado marital. Rodei @DbLookup nos bancos de dados de Controle de Doenças e não achei nada. Disse a ela que o novo ID estaria pronto de noite. Relembrando as lições de “Reengenharia para Parceria de Usuários”, ofereci-me para entregar pessoalmente em sua casa.

10:07 am
O cara do Almoxarifado passou por aqui dizendo que estava recebendo ligações estranhas ultimamente. Ofereci a ele um treino em Notes. Começando agora. Deixei ele olhando a console enquanto saí para fumar.

13:00 pm
Voltei da pausa para o cigarro. O almoxarife disse que os telefones ficavam tocando demais, então ele transferia as ligações pra moça da cafeteria. Comeco a gostar desse cara.

13:05 pm
Grande comoção! Gerente de suporte cai num buraco aberto onde eu tinha tirado os tacos, na frente da porta do seu escritório. Falei pra ele da importância de não entrar correndo na sala do computador, mesmo que eu grite “Meu Deus… Fogo!!”

14:00 pm
A secretária jurídica liga e diz que perdeu a password. Pedi a ela que cheque sua bolsa, chão do carro e no banheiro. Disse que provavelmente caiu das costas da máquina. Sugeri que ela ponha durex em todas as entradas de ar que ela ache no PC. Grunhindo, ofereci-me para lhe dar nova ID enquanto ela colava os durex…

14:49 pm
O almoxarife voltou. Quer mais aulas. Tirei o resto do dia de folga.

(Quarta)

8:30 am
Detesto quando os usuários ligam pra dizer que o chipset não tem nada a ver com fontes em um formulário. Disse a eles “claro, vocês deviam estar checando o ‘bitset’ e não ‘chipset’”. Usuário bobo pede desculpa e desliga.

9:10am
Gerente de suporte, com o pé engessado, volta ao escritório. Agenda um encontro comigo para 10:00am. Usuário liga e quer falar com o gerente de suporte sobre terríveis socorros na mesa de suporte. Disse a eles que o gerente estava indo a uma reunião. Às vezes, a vida nos dá material…

10:00 am
Chamei o Luiz do Almoxarifado pra ficar no meu lugar enquanto vou no escritório do gerente. Ele disse que não pode me demitir, mas que pode sugerir vários movimentos laterais na minha carreira. A maioria envolvida com implementos agrícolas no terceiro mundo. Falando nisso, perguntei se ele já sabia de um novo bug que pega texto indexado dos bancos de dados e distribui aleatoriamente todas as referências. A reunião foi adiada…

10:30 am
Disse ao Luiz que ele está se saindo muito bem. Ofereci-me para mostrar-lhe o sistema corporativo de PBX algum dia…

11:00 am
Almoço.

16:55 pm
Retorno do almoço.

17:00 pm
Troca de turno. Vou pra casa.

(Quinta)

8:00 am
Um cara novo (Jonas) começou hoje. “Boa sorte”, disse a ele. Mostrei-lhe a sala do servidor, o armário de fios e a biblioteca técnica. Deixei-o com um PC-XT. Falei pra ele parar de choramingar. O Notes rodava igual, tanto em monocromo quanto em cores.

8:45 am
Finalmente, o PC do novato deu boot. Disse a ele que iria criar novo usuário pra ele. Setei o tamanho minimo de password para 64. Saí para fumar.

9:30 am
Apresentei o Luiz ao Jonas. “Boa sorte”, comentou o Luiz. Esse cara não é o máximo?

11:00 am
Ganhei do Luiz no dominó. Luiz sai. Tirei o resto das peças da manga (“tenha sempre backups”). Usuário liga, diz que servidor de contabilidade está fora do ar. Desconecto o cabo Ethernet da antena do rádio (melhor recepção) e ligo de volta no hub. Disse a ele que tentasse novamente. Mais um usuário feliz!

11:55 am
Expliquei ao Jonas a política corporativa 98.022.01: “sempre que novos empregados começam em dias que terminam em ‘A’, estão obrigados a prover sustento e repouso ao analista técnico sênior do seu turno”. Jonas duvida. Mostrei o banco de dados de “políticas corporativas”. “Lembre-se, a pizza é de peperoni, sem pimenta!”, gritei enquanto Jonas pisa no taco solto ao sair.

13:00 pm
Oooooh ! Pizza me dá um sono…

16:30 pm
Acordo de uma soneca refrescante. Peguei o Jonas lendo anúncios de emprego.

17:00 pm
Troca de turno. Desligo e ligo o servidor várias vezes (teste do botão On-Off…). Até amanhã…

(Sexta)

8:00 am
Turno da noite continua tendo problemas para trocar unidade de força do servidor. Disse a eles que estava funcionando direito quando sai.

9:00 am
Jonas não está aqui ainda. Decidi que deveria começar a responder as chamadas eu mesmo.

9:02 am
Chamada de usuário. Diz que a base em Sergipe não consegue replicar. Eu e Luiz determinamos que é problema de fuso horário. Mandei eles ligarem para Telecomunicações.

9:30 am
Meu Deus! Outro usuário! Eles são como formigas. Dizem que estão em Manaus e não conseguem replicar com Sergipe. Falei que era fuso horário, mas com duas horas de diferença. Sugeri que eles ressetassem o timer no servidor.

10:17 am
Usuário do Espírito Santo liga. Diz que não consegue mandar mail pra Manaus. Disse pra eles setarem o servidor para três horas adiantado.

11:00 am
E-mail da corporação diz para todos pararem de ressetar o time dos servidores. Troquei o “date stamp” e reenviei para o Acre.

11:20 am
Terminei a macro @FazerCafe. Recoloquei o telefone no gancho.

11:23 am
O Acre liga, perguntando que dia é hoje.

11:25 am
Gerente de suporte passa pra dizer que o Jonas pediu pra sair. “Tão difícil achar boa ajuda…”, respondi. O gerente disse que ele tem um horário com o ortopedista essa tarde e pergunta se eu me importo em substituí-lo na reunião semanal dos administradores. “No problems”, eu respondo.

11:30 am
Chamo Luiz e digo que a oportunidade bate à sua porta e ele é convidado para um encontro essa tarde. “Claro, você pode trazer seu jogo de dominó”, digo a ele.

12:00 am
Almoço

13:00 pm
Começo backups completos no servidor Unix. Redireciono o device para NULL para o backup ser mais rápido.

13:03 pm
Backup semanal completo. Cara, como eu gosto da tecnologia moderna!

14:30 pm
Olho o banco de dados de contatos de suporte. Cancelo o compromisso de 2:45pm. Ele deve ficar em casa descansando.

14:39 pm
Outro usuário ligando. Diz que quer aprender a criar um documento de conexão. Digo a ele para rodar o utilitário de documentos CTRL-ALT-DEL. Ele disse que o PC rebootou. Digo a ele para chamar o microsuporte.

15:00 pm
Outro usuário (novato) liga. Diz que a macro periódica não funciona. Disse a ele para incluir a macro @DeleteDocument no final da fórmula e prometi a ele mandar-lhe o anexo do manual que indica isso.

16:00 pm
Acabei de trocar a cor de frente de todos os documentos para branco. Também setei o tamanho da letra para 2 nos bancos de dados de ajuda.

16:30 pm
Um usuário liga pra dizer que não consegue ver nada em nenhum documento. Digo a ele para ir no menu Edit, opção Select All, e apertar a tecla Del e depois Refresh. Prometi mandar-lhe a página do manual que fala sobre isso.

16:45 pm
Outro usuário liga. Diz que não consegue ver os helps dos documentos. Digo a ele que irei consertar. Mudei a fonte para Wingdings.

16:58 pm
Conectei a cafeteira no hub Ethernet pra ver o que acontece… Nada… (muito sério).

17:00 pm
O turno da noite apareceu. Digo a eles que o hub está agindo estranho. Desejo um bom fim-de-semana.

INFORMÁTICA NO PLANALTO

Maio 29, 2007

O LULA COMPRA UM COMPUTADOR E AÍ LIGA VÁRIAS VEZES PARA O ZÉ DIRCEU PARA AJUDÁ-LO A USAR:

@LULA: “Não consigo fazer conexão com a Internet!”

ZÉ DIRCEU: “Tem certeza que utilizou a senha certa?”

@LULA: “Sim, tenho certeza. Vi o Paloffi fazendo.”

ZÉ DIRCEU: “Pode me dizer qual foi a senha?”

@LULA: “Cinco estrelinhas.”

—————

@LULA: “Não consigo imprimir. Cada vez que tento, o computador diz: Não é possível encontrar a impressora. Já levantei a impressora e coloquei-a em frente ao monitor, mas o computador continua dizendo que não consegue encontrá-la.”

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ZÉ DIRCEU: “Bom dia Presidente. Posso ajudá-lo em alguma coisa?”

@LULA: “Eeh…Olá. Não consigo imprimir.”

ZÉ DIRCEU: “Pode clicar no ‘Iniciar’ e…?”

@LULA: “Calma aí! Não responda assim muito tecnicamente. Não sou o Bill Gates!”

—————–

@LULA: De repente aparece uma mensagem na minha tela, que diz: Clique ‘Reiniciar’… O que eu devo fazer?”

ZÉ DIRCEU: O senhor aperte o botão solicitado, desligue e ligue novamente.

Sem pestanejar, Lula desliga o telefone na cara do Zé e liga novamente.

@LULA: E agora o que eu faço?

——————

ZÉ DIRCEU: “Em que posso ajudá-lo?”

@LULA: “Estou escrevendo o meu primeiro e-mail.”

ZÉ DIRCEU: “OK, qual é o problema?”

@LULA: “Já fiz a letra “a”. Como é que se faz o circulozinho em volta dela?”

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@LULA: “A Internet também abre aos domingos?”

ZÉ DIRCEU: Silêncio profundo!

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Depois de um tempo falando com o Zé Dirceu:

@ZÉ DIRCEU: “o que tem do lado direito da tela?”

@LULA: “uma samambaia!”

@ZÉ DIRCEU: silêncio…

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@ZÉ DIRCEU: “o que está escrito abaixo da tela?”

@LULA: “samsung!”

@ZÉ DIRCEU: silêncio…

CLÁSSICA da Matemática e da Lógica

Maio 29, 2007

Gente,
Cultura inútil também é Lógica!
Divirtam-se! Essa é a que mais gosto!!!

Duas freiras saíram do convento para vender biscoitos.

Uma é conhecida como Irmã Matemática (M) e a outra é conhecida como Irmã Lógica (L).

M – Está ficando escuro e nós ainda estamos longe do convento!!!

L – Você reparou que um Homem está nos seguindo há uma meia hora?

M – Sim, o que será que ele quer?

L – É lógico! Ele quer nos estuprar.

M – Oh não! Se continuarmos neste ritmo ele vai nos alcançar em no máximo 15 minutos.

L – A única coisa lógica a fazer é andarmos mais rápido!!!

M – Não está funcionando.

L – Claro que não! Ele fez a única coisa lógica a

fazer: ele também começou a andar mais rápido.

M – E agora, o que devemos fazer? Ele nos alcançará em 1 minuto!

L – A única coisa lógica que nos resta fazer, é nos separarmos! Você vai para aquele lado que eu vou para este lado. Ele não poderá seguir nós duas.

Então o homem decidiu seguir a Irmã Lógica.

A Irmã Matemática chegou ao convento preocupada com o que poderia ter acontecido à Irmã Lógica.

Passou bom tempo e eis que a Irmã Lógica chega.

M – Irmã Lógica!! Graças a Deus você chegou! Me conte o que aconteceu!!!

L – Aconteceu o lógico. O homem não podia seguir nós duas então ele optou por me seguir.

M – Sim, mas o que aconteceu depois?

L – O lógico, eu comecei a correr o mais rápido que podia e ele correu o mais rápido que ele podia também.

M – E depois?

L – Novamente aconteceu o lógico: ele me alcançou.

M – O meu Deus! O que você fez?

L – Eu fiz o lógico, levantei meu hábito.

M – Oh, Irmã! O que o homem fez?

L – Ele também fez o lógico e abaixou as calças.

M – Oh não! O que aconteceu depois?

L – Não é óbvio, Irmã? Uma freira com o hábito

levantado consegue correr muito mais rápido do que um homem com as calças abaixadas!!!!!

A Fábula dos Porcos Assados

Maio 3, 2007

Provavelmente alguns de vocês conhecem a Fábula dos Porcos Assados.  Qualquer semelhança é mera coincidência !!!!

“O texto original deste trabalho em espanhol circulou entre os alunos do curso de pós-graduação da Universidade de Piracicaba em 1981. A sutileza com que o autor satiriza um dos problemas de nossos tempos fez com que imediatamente o texto chamasse a atenção de alunos e professores, convertendo-se em tema de conversas e debates. Aos leitores, a Fábula dos Porcos Assados:

Uma das possíveis variações de uma velha história sobre a origem do assado é o seguinte: Certa vez, aconteceu um incêndio num bosque onde havia alguns porcos, que foram assados pelo fogo. Os homens, acostumados a comer carne crua, experimentaram e acharam deliciosa a carne assada. A partir daí, toda vez que queriam comer porco assado, incendiavam um bosque…até que descobriram um novo método.
Mas o que quero contar é o que aconteceu quando tentaram mudar o SISTEMA para implantar um novo. Fazia tempo que as coisas não iam lá muito bem; às vezes os animais ficavam queimados demais ou parcialmente crus. O processo preocupava muito a todos, porque se o SISTEMA falhava, as perdas ocasionadas eram muito grandes – milhões eram os que se alimentavam de carne assada e também milhões os que se ocupavam com a tarefa de assá-los. Portanto, o SISTEMA simplesmente não podia falhar. Mas, curiosamente, quanto mais crescia a escala do processo, tanto mais parecia falhar e tanto maiores eram as perdas causadas.
Em razão das inúmeras deficiências, aumentavam as queixas. Já era um clamor geral a necessidade de reformar profundamente o SISTEMA. Congressos, Seminários, Conferências passaram a ser realizadas anualmente para buscar uma solução. Mas parece que não acertavam o melhoramento do mecanismo.
Assim, no ano seguinte repetiam-se os congressos, seminários, conferências. As causas do fracasso do SISTEMA, segundo os especialistas, eram atribuídas à indisciplina dos porcos, que não permaneciam onde deveriam, ou à inconstante natureza do fogo, tão difícil de controlar, ou ainda às árvores, excessivamente verdes, ou à umidade da terra, ou ao serviço de informações meteorológicas, que não acertava o lugar, o momento e a quantidade das chuvas…
As causas eram, como se vê, difíceis de determinar – na verdade, o sistema para assar porcos era muito complexo. Fora montada uma grande estrutura: maquinário diversificado; indivíduos dedicados exclusivamente a acender o fogo – incendiadores que eram também especializados incendiadores da Zona Norte, da Zona Oeste, etc…, incendiadores noturnos e diurnos – com especialização em matutino e vespertino – incendiador de verão, de inverno, etc… Havia especialistas também em ventos – os anemotécnicos. Havia um Diretor Geral de Assamento e Alimentação Assada, um Diretor de Técnicas Ígneas ( com seu Conselho Geral de Assessores ), um Administrador Geral de Reflorestamento, uma Comissão Nacional de Treinamento Profissional em Porcologia, um Instituto Superior de Cultura e Técnicas Alimentícias ISCUTA) e o Bureau Orientador de Reformas Igneooperativas. Havia sido projetada e encontrava-se em plena atividade a formação de bosques e selvas, de acordo com as mais recentes técnicas de implantação – utilizando-se regiões de baixa umidade e onde os ventos não soprariam mais que três horas seguidas. Eram milhões de pessoas trabalhando na preparação dos bosques, que logo seriam incendiados. Havia especialistas estrangeiros estudando a importação das melhores árvores e sementes, fogo mais potente, etc….Havia grandes instalações para manter os porcos antes do incêndio, além de mecanismos para deixá-los sair apenas no momento oportuno. Foram formados professores especializados na construção dessas instalações. Pesquisadores trabalhavam para as universidades que preparavam os professores especializados na construção das instalações para porcos; fundações apoiavam os pesquisadores que trabalhavam para as universidades que preparavam os professores especializados na construção das instalações para porcos, etc…
As soluções que os congressos sugeriam eram, por exemplo, aplicar triangularmente o fogo depois de atingida determinada velocidade do vento, soltar os porcos 15 minutos antes que o incêndio médio da floresta atingisse 47 graus, posicionar ventiladores-gigantes em direção oposta à do vento, de forma a direcionar o fogo, etc…. Não é preciso dizer que poucos especialistas estavam de acordo entre si, e que cada um embasava suas idéias em dados e pesquisas específicos.
Um dia um incendiador categoria AB/SODM-VCH ( ou seja, um acendedor de bosques especializado em sudoeste diurno, matutino, com bacharelado em verão chuvoso ), chamado João Bom-Senso, resolveu dizer que o problema era muito fácil de ser resolvido, bastava, primeiramente, matar o porco escolhido, limpando e cortando adequadamente o animal ,colocando-o então sobre uma armação metálica sobre brasas, até que o efeito do calor – e não as chamas – assasse a carne. Tendo sido informado sobre as idéias do funcionário, o Diretor Geral de Assamento mandou chamá-lo ao seu gabinete, e depois de ouvi-lo pacientemente, disse-lhe:
-Tudo o que o senhor disse está muito bem, mas não funciona na prática. O que o senhor faria, por exemplo, com os anemotécnicos, caso viéssemos a aplicar sua teoria ? Onde seria empregado todo o conhecimento dos acendedores de diversas especialidades ? – Não sei – disse João. – E os especialistas em sementes ? Em árvores importadas para porcos, com suas máquinas purificadoras automáticas de ar ? – Não sei. – E os anemotécnicos que levaram anos especializando-se no exterior, e cuja formação custou tanto dinheiro ao país ? Vou mandá-los limpar os porquinhos. E os conferencistas e estudiosos, que ano após ano têm trabalhado no Programa de Reforma e Melhoramentos ? Que faço com eles, se a sua solução resolver tudo ? – Heim ?
- O senhor percebe agora que a sua idéia não vem ao encontro daquilo de que necessitamos ? O senhor não vê que se tudo fosse tão simples, nossos especialistas já teriam encontrado a solução há muito tempo atrás? O senhor com certeza compreende que não posso simplesmente convocar os anemotécnicos e dizer-lhes que tudo se resume a utilizar brasinhas, sem chamas! O que o senhor espera que eu faça com os quilômetros de bosques já preparados, cujas árvores não dão frutos nem têm folhas para dar sombra ? Vamos , diga-me ! – Não sei, não senhor.
- Diga-me, nossos três engenheiros em Porcopirotecnia, o senhor não considera que sejam personalidades científicas do mais extraordinário valor ? – Sim , parece que sim.
- Pois então. O simples fato de possuirmos valiosos engenheiros em Porcopirotecnia indica que nosso sistema é muito bom. O que eu faria com indivíduos tão importantes para o país ? – Não sei.
- Viu ? O senhor tem que trazer soluções para certos problemas específicos por exemplo, como melhorar as anemotécnicas atualmente utilizadas, como obter mais rapidamente acendedores de Oeste (nossa maior carência ) como construir instalações para porcos com mais de sete andares. Temos que melhorar o sistema e não transformá-lo radicalmente, o senhor entende ? Ao senhor, falta-me sensatez! – Realmente estou perplexo ! – respondeu João.
- Bem , agora que o senhor conhece as dimensões do problema, não saia dizendo por aí que pode resolver tudo. O problema é bem mais sério e complexo do que o senhor imagina. Agora , entre nós, devo recomendar-lhe que não insista nessa sua idéia – isso poderia trazer problemas para o senhor no seu cargo. Não por mim, o senhor entende? Eu falo isso para o seu próprio bem, porque eu o compreendo, entendo perfeitamente o seu posicionamento, mas o senhor sabe que pode encontrar outro superior menos compreensivo, não é mesmo ? João Bom-Senso, coitado, não falou mais um “A” . Sem despedir-se, meio atordoado, meio assustado com sua sensação de estar caminhando de cabeça para baixo, saiu de fininho e ninguém nunca mais o viu. Por isso é que até hoje se diz, quando há reuniões de Reforma e Melhoramentos que falta o Bom-Senso.”

Extraído de:
http://www.rica.com.br/Novidades/porcos.htm